Deus quer, o homem regurgita, o Bluogh nasce.

Segunda-feira, Outubro 04, 2004

Agora aqui.

Quinta-feira, Setembro 23, 2004

Das Problem oder die hamadrias babwiuen frage (o último post) 

A 9/11 nascia o BLUOGH. Nessa altura já Michael Moore preparava Fahrenheit 9/11 - projecto que inicialmente se debruçava sobre a observação manual, oral e olfactiva da região ano-genital dos babuínos-hamadrias - e, não menos surpreendente, a 11/9 a blogosfera tinha o prazer de ser apresentada ao humor relevanto-revelante deste companheiro. Serão coincidências, caro leitor deste blog que ainda seja chanfrado o suficiente para vir ver se o Sampaio já parou de chorar? Não, claro que não. Porque neste mundo não há coincidências. Há, isso sim, pessoas que vão morrer de cancro, gangrena ou exposição prolongada à escrita da Vera Roquette, sem saber nada sobre Ivgeny Ivgeny, Har Mar Superstar, ou, até mesmo, os pormenores sórdidos que rodearam Charles Darwin na hora da sua morte - sodomizado até ao último sopro por uma tribo creacionista de babuínos-hamadrias -, percebem a relação?
O problema é este. Vocês não percebem a relação, e, por isso, o BLUOGH chegou ao fim.

Poucos choraram quando o sonho do III Reich se desfez, e poucos chorarão com o fim deste blog. A comparação não é feliz, na verdade é um pouco disfuncional e indicia sintomas da doença bipolar, mas as semelhanças são evidentes e coincidentes - o bigode. Sim, foi o bigode hitleriano do BLUOGH nunca o permitiu ser elevado aos píncaros do reconhecimento blogosferiano, remetendo-o ao gueto da obscuridade blogosférica. Hitleriano/Gueto - percebem a ironia? Hemil Schultz, judeu berlinense, percebeu, e isso custou-lhe três anos de vida, a sua noção de moda e uma caderneta de dez bilhetes do metropolitano de Berlim. Foi em 1930, mas Hemil nunca se recompôs devidamente. Dez anos mais tarde, morreu vítima de uma trombose, vestido numa desadequada camisa de flanela da estação anterior, quando soube que não havia metro em Berlim. As suas últimas palavras? "Nationaler sozialismus ist nichts, aber ein farse, der hamadrias-babwiuen ist heraus, mich zu erhalten!"
Mas vocês não percebem a ironia, pois não? Vocês simplesmente não compreendem.
De qualquer maneira,
obrigado por terem vindo.

ANTES DO DECLÍNIO, O CLUBE DE FÃS DO BLUOGH Quando o autor ainda era popular nos círculos mais influentes da vida social do país

Quarta-feira, Julho 07, 2004

A causa das lágrimas do Presidente 

As lágrimas de Jorge Sampaio, na cerimónia de condecoração da selecção portuguesa, não tiveram nada a ver com emoções relacionadas com as glórias do futebol, revelou uma fonte do Palácio de Belém. A mesma fonte adiantou que o pesar de Sampaio se deveu, na realidade, a três razões: a constatação de que Cristiano Ronaldo tem uma boca que lembra o piano de um jogador de râguebi, e não tem intenção de usar aparelho; os penteados de Maniche e de Nuno Valente; e a tez amarelada do bigode de Gilberto Madaíl.

Deputados podem ser castigados 

Portugal vai seguir o exemplo do parlamento inglês e aprovar uma lei que estipule que as crianças só poderão ser admoestadas com castigos físicos ligeiros. No entanto, e ao contrário do que se passou no Reino Unido, a lei portuguesa contará com um regime de excepção, aplicável aos deputados do Assembleia da República. O BLUOGH teve acesso aos trabalhos preparatórios do projecto-lei, reproduzindo o seguinte excerto: “art. 3, b) – Prevê-se o uso de castigo físicos moderados, a aplicar com uma vara de bambu, contra qualquer deputado que: 1 – não compareça às sessões de trabalho para ver um jogo de futebol ; 2 – afirme que a Coreia do Norte, a Arábia Saudita, ou a ilha da Madeira, sejam democracias; 3 – elabore algum chiste sempre que um artigo tiver o número 69.

Durão e Santana pressionam Sampaio 

Durão Barroso e Santana Lopes desdobraram-se, ao longo desta semana, em várias acções de pressão a Jorge Sampaio. Com o objectivo de condicionar o Presidente da República a decidir-se pela manutenção da coligação no governo, Santana Lopes enviou, diariamente, várias cartas, fotografias, e pãezinhos com a forma da sua cabeça, para a residência Sampaio. Durão optou por estratégias mais condizentes com o seu passado maoísta: furou os pneus do carro presidencial, espetou agulhas nas campainhas do prédio onde habita Jorge Sampaio, roubou alguma mobília do Palácio de Belém, e pintou – em três línguas diferentes – vários graffitis com a frase “não dissolva”, nas imediações do Palácio de Belém.

Trappatoni veio ao engano 

Trappatoni não era a escolha do Benfica para treinador, e sim o compatriota Alberto Zaccheroni, outro italiano que já tinha sido referido pela imprensa. O mal-entendido decorreu de uma iniciativa de Eusébio, que confundiu o nome dos dois treinadores, e telefonou de imediato ao amigo Trap. A “Raposa Velha”, como é apelidado em zombaria pela imprensa italiana, devido ao facto de já não possuir o “faro” de outros tempos, viajou de imediato para Lisboa e Luís Filipe Vieira sentiu-se na obrigação de lhe dar o cargo. Ao chegar a Portugal, o treinador italiano declarou sentir-se como “se tivesse vinte anos”, ou seja, sem qualquer capacidade para treinar uma equipa de futebol.

Mulher espanca marido por causa do Euro 

Cacilda Fernandes, 43 anos, foi detida ontem pela GNR de Famalicão, e será levada brevemente a tribunal sob a acusação de ter agredido o marido, durante o Portugal-Grécia da final. Horácio Fernandes teve de ser levado para o hospital, depois de uma discussão sobre futebol. “Ela deu-lhe uma grande tareia, deixou-o num estado lastimável”, diz um amigo da vítima, que prefere permancer no anonimato, ou, em caso de extrema necessidade, que lhe chamem Cátia. O BLUOGH conseguiu contactar com a mulher e obteve as seguintes declarações: “é extremamente incómodo ver um jogo tão importante ao lado de uma pessoa que não percebe nada de futebol; quando ele disse que o Scolari devia era meter o Tiago para reforçar o eixo do ataque esquerdo não me contive: arreei do cinto e dei-lhe uma valente coça.”

Quarta-feira, Junho 30, 2004

Os senhores que se seguem 

Jorge Sampaio continua a ouvir reputados nomes da praça, na tentativa de se aconselhar devidamente em relação ao futuro de Portugal. Depois de Freitas, Cavaco e Eanes, seguem-se Batatinha, Badaró e o Avô Cantigas.

Domingo, Junho 27, 2004

O EURO em imagens - VIII 


Nedved tem um feliz encontro com um ratinho campestre

O EURO em imagens - VII 


Del Piero e Gattuso ensaiam a famosa jogada do ventríloquo

O EURO em imagens - VI 


A UEFA surpreende com o castigo a Totti: passar o jogo sentado num cantinho da baliza.

O EURO em imagens - V 


Não, TU é que me vais fazer um fellatio...

O EURO em imagens - IV 


Collina no momento em que lhe disseram que o bonequinho da t-shirt era inspirado nele

O EURO em imagens - III 


Jorge Andrade decide, de uma vez por todas, silenciar as críticas de Vassel, que passou os dias que antecederam o jogo a escamotear a higiene pessoal do central português

O EURO em imagens - II 


Nuno Gomes envolve-se num momento de grande intimidade com um central inglês, permitindo a Postiga marcar o golo do empate

O EURO em imagens - I 


Eriksson explica que depois de ver Beckham no duche percebeu que a Inglaterra não iria longe

A angústia dos peitos descobertos - adenda 

A estagiária lembrou-me, em boa hora, da existência de uma categoria incontornável quando se fala de topless - o topless forçado. Em boa hora porque esta é, indubitavelemnte, uma das minhas preferidas e feroz propiciadora de situações embaraçosas. O embaraço é sempre salutar. Mesmo quando envolve fezes.

O topless forçado ocorre, sobretudo, em zonas de mar revolto. Destaca-se a costa de Sintra, a da Caparica, e mesmo a zona do Algarve no período do Levante. Acho que já perceberam de que tipo de topless se está a falar. O que o torna especialmente divertido é que muitas vezes é acompanhado pela ignorância do mesmo. Uma das mais famosas vítimas é a Vénus Botticelliana, mas essa valeu-se da sua farta cabeleira.
Nestes casos, a questão mais importante é a do aviso, e aí tudo depende do grau de intimidade com a pessoa que - sem qualquer anúncio prévio - resolve apontar um atrevido, e inesperado, mamilo na nossa direcção, fruto de um mergulho mais pujante. É uma situação interessante, mas a ignorância da "vítima" impõe que os factos lhe sejam transmitidos. Se houver suficiente à-vontade basta um "tens a mama de fora", acompanhado de um sorriso condescendente, para minimizar o embaraço e dar a atender que aquele tipo de coisas acontece todos os dias. Se não existe uma grande proximidade aí a coisa é capaz de ficar mais complicada. Claro que um "tens a mama de fora" funcionaria da mesma maneira, mas nem todos estarão confortáveis para o fazer. É então que tem lugar um jogo de mímica e balbuciação, com o homem a apontar o dedo como se estivesse indeciso com alguma coisa, movendo-o tão agilmente como a batuta de um maestro, ao mesmo tempo que emite sons como "hã.... olha.... hã.... aí.....". A situação geralmente termina cinco segundos depois, com alguns gritinhos e saltinhos de embaraço, ou, simplesmente, com um "ah! tenho a mama de fora. por que é que não disseste antes?".

A angústia dos peitos descobertos 

Começou a época balnear. Da ida em massa às praias resultam muitas coisas. Engarrafamentos, abstenção eleitoral, doenças de pele e aumento de receitas para a indústria dos gelados. Outro derivado das peregrinações aos areais é a exibição do peito - pelas mulheres, claro - o comummente chamado topless.
O topless é um assunto sobre o qual se poderiam elaborar extensos textos, e profusas análises transversais e angulares. Muitos autores são conhecidos pela elegância com que se debruçam sobre o topless. O falecido Professor Eduardo Cortiça-Velha era conhecido pela abordagem-mergulho, por exemplo.
Este post centrar-se-à apenas em algumas questões relativas ao assunto.

Há vários tipos de topless. Há o topless descarado, quando o descobrir dos peitos ocorre no momento em que se pisa a areia. Estas são as experientes. Mal põem o pé na areia, zás! Nem sequer um olhar de esguelha para os lados. É uma autêntica afirmação. "Este é o meu peito, e vocês vão levar com ele." Por vezes o público agradece, por vezes não. É que, infelizmente, as praias ainda não têm porteiro.

Depois há o topless tímido. Nesta categoria a acção não é tão imediata. Leva algum tempo. Primeiro forma-se a decisão, geralmente partilhada e necessariamente incentivada. Depois tem de se sondar o ambiente. Grupos de mitras de Chelas funcionam como elemento desencorajador, para qualquer mulher com menos de 40 anos.

Também existe o topless adolescente. Como o nome indica é, de modo geral, praticado por rapariguinhas com menos de vinte anos, e - assim como a adolescência - é espontâneo, divertido e inconsequente. Aqui a decisão de grupo é imprescindível, e faz-se acompanhar de muitos risinhos, gritinhos e correrias velozes em direcção à água. O grande problema costuma ser quando se encontra alguém conhecido. Aí os risinhos são substituídos por um grande rubor facial, que, sem qualquer explicação científica, não se estende ao peito.

Ainda existe outro tipo de topless, embora a doutrina não o considere como tal, já que ele não chega a ocorrer. A sua inclusão nesta enumeração relaciona-se com o facto de ser um potenciador daquele. O fenómeno ocorre quando as senhoras, deitadas com o ventre na direcção do magma terrestre, desapertam o nó da parte de cima do bikini. Esta situação é de fácil localização na praia, porque geralmente o namorado daquela-que-teme-a-marca-do-bikini assume uma postura de lobo-atento-na-pradaria, endireitando as costas e perscrutando as redondezas de forma temerária. Aos restantes só resta esperar, se valer a pena, que algum revés da fortuna se manifeste de forma imprevista, e obrigue aquela-que-teme-a-marca-do-bikini a movimentar-se bruscamente. Mas, atenção, eu disse: só se valer a pena, porque sejamos francos, hoje em dia ver um par de mamas já não é muito impressionante. De facto, assiste-se à banalização do peito. Sem querer influir em juízos de valor, o peito já faz parte do nosso dia-a-dia. Seja no outdoor mais próximo da Vasenol, ou nos ângulos posicionais mais arrojados de algumas colegas de trabalho, ele(s) vieram para ficar.

Há, no entanto, uma questão perturbante no meio de isto tudo. Aliás, a questão perturbante é a causa principal deste post. Impõe-se perceber o seguinte: por que é que no meio de tamanha banalização peitoral feminina, ainda existe um certo embaraço quando, na praia, se dá um interacção próxima de homem-peito-mulher. Por exemplo, ir pedir lume a uma mulher em topless, pode ser uma experiência um pouco perturbante. Não por medo que ela seja uma anti-tabagista empedernida, mas porque alguma coisa não parece bater certo. Forma-se uma leve sensação de desconforto. O olhar saltita ansiosamente pelas redondezas. As mãos, nervosas, parecem atordoadas, sem saber o que se espera delas. A resposta é muito simples. Ainda que a cultura da peitaça descoberta tenha abraçado definitivamente a sociedade actual, não deixa de ser raro para um homem, estar a menos de um metro de um seio nu, e não lhe poder tocar. É neste paradoxo neuro-psicológico-sexual que reside a tal sensação de estranheza.
A solução? Deixar de fumar.

Quinta-feira, Junho 17, 2004

Barril atinge mínimo histórico 

O barril voltou a surpreender os investidores de Wall Street, alguns moradores de Fernão Ferro e os três adeptos da Letónia, atingindo novo mínimo em relação ao dólar. O barril consegue, mais uma vez, silenciar os críticos que davam a sua carreira como terminada, depois do retumbante fracasso que foi a tentativa da incursão pelo teatro experimental dos países subsarianos. Em declarações à imprensa, o barril explicou que "não há razões para ter medo, desde que as orelhas do Alan Greenspan continuem a crescer". No entanto, as palavras não chegaram para tranquilizar muitos analistas económicos: "o crescimento das pilosidades nasais e auriculares é tão importante como o das orelhas", garante um grupo de gajos sentado num café, que se identifica como fonte de análise económica.
Depois de atingir este resultado histórico, o barril pretende agora alcançar o Grammy Latino de Melhor Instrumentalização Jazz e o Galardão para a Melhor Curta da Figueira da Foz.

Quarta-feira, Junho 16, 2004

Poesia no Sapo 

O Infordesporto do Sapo publica um belíssimo texto sobre o Holanda-Alemanha. Gostava de partilhar alguns excertos:

«os alemães tomaram conta do jogo a partir desse momento, conseguindo, como corolário lógico de tal domínio, um golo, por Frings, aos 30 minutos.
a equipa de Rudi Voeler não se deixou enlevar pelo tento, procurando outro que lhe desse a tranquilidade»

"Corolário lógico de tal domínio." "Enlevar pelo tento". Isto, meus amigos, é poesia do mais alto calibre.

«Mas quem tem Van Nistelrooy tem boas hipóteses de marcar, e haveria de ser o avançado do Manchester United quem»

Aliterações. Que deliciosa paisagem harmónica.

«com um magnífico desvio com um defesa à ilharga e após cruzamento da esquerda, a fazer o empate, a nove minutos do fim.»

"Ilharga". Magnífico. Impressionante erudição. Tive que ir ver ao dicionário.

Sexta-feira, Junho 11, 2004

O elogio da cretinice 

São pessoas que acreditam na "tradição". Tradição, dizem, é gostar de touradas, ouvir um fadinho, ir à missa, e dizer coisas vagas como "Portugal deve apostar é no mar" - afirmação que ninguém ainda conseguiu explicar o que quer dizer. A pátria deve estar sempre acima de tudo. Logo, deve desconfiar-se daquilo que vem de fora. Como se alguém estivesse interessado em vir cá roubar-nos os costumes. Desconfiam da União Europeia, porque sabem que sem a europa ainda estaríamos num estado de coisas perto do Salazarismo - atrasados e isolados em relação ao exterior. Ou seja, um ambiente em que estes "tradicionalistas" se sentiriam terrivelmente confortáveis.
Têm medo que a identidade nacional desvaneça no meio de tanta europeização. Têm medo de perder as grandes características que acham que nos caracterizam como povo: agarrar touros pelos cornos e acreditar que as mulheres devem ficar em casa a cuidar dos filhos.

Isto sim é um partido folclórico.

Mas infelizmente eles não ficam por aqui. O Partido Popular Monárquico, que se auto-considera um baluarte de valores, não quis ficar atrás na corrida do rebaixamento do nível da campanha à europeias. Ganhou com distinção.

"Não queremos nem devemos dramatizar, nem tão pouco fazer do Professor um mártir, mas a verdade é que o Professor também deveria fazer parte das pessoas que não cuidava da sua saúde. Provavelmente, não media a tensão há muito tempo. A sua morte já estava prevista", lia-se no comunicado do PPM sobre o falecimento do cabeça de lista do PS.
Nesse texto, o PPM considerou ainda a morte de Sousa Franco "neste combate" (campanha para as eleições europeias) como uma "tremenda injustiça", embora afirmando que "foi a melhor e a mais eficiente forma" do cabeça de lista do PS "dizer basta desta politiquice".


Nos bons velhos tempos

A PSP errou 

Diário Digital:
Todos os adeptos estrangeiros apanhados a consumir cannabis serão punidos de acordo com a lei actualmente em vigor, garantiu ao Diário Digital a comissária Isabel Canelas, porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. A reacção surge na sequência de notícias publicadas esta sexta-feira na imprensa britânica, segundo as quais as autoridades nacionais iriam fechar os olhos ao consumo porque será mais fácil controlar uma multidão de adeptos sob efeito destes estupefacientes.


Controlar adeptos sob o efeito de cannabis seria, de facto, muito mais fácil, e uma estratégia que a PSP não devia afastar. São atitudes como esta que fazem do nosso país um dos mais atrasados na Europa. Suponho que faltou visão às autoridades nacionais. A própria polícia podia distribuir doses individuais de haxixe pelos hooligans, o produto não deve faltar nos armazéns policiais, depois era só acenar com pacotinhos de batata frita e o controlo das movimentações tornava-se extremamente eficaz. É pena deixar escapar oportunidades destas.

O MSL no CU 

É uma visão impressionante. O maior centro comercial do mundo. Localizado no estado do Pixinguço, no Brasil, ocupa uma área de 400 mil metros quadrados, e estende-se em comprimento por mil quilómetros. Sim, leu bem. São mil quilómetros de uma ponta à outra, ladeados pelas mais variadas lojas, zonas de restauração, complexos de cinema, centros de acupunctura e várias casas de alterne, disponíveis nos mais variados sabores. O Chôpingue Uórld (CU), como é conhecido, dá trabalho a cerca de 4 milhões de pessoas, entre lojistas, funcionários da limpeza, proxenetas e piaçaba-humanos, e recebe uma média de 10 milhões de visitantes por dia.
Mas nem tudo é um mar de rosas no CU. Há uns meses emergiu um fenómeno sócio-comercial, de contornos gravíssimos, que começou a ameaçar a vida pacata do centro, e, revelou que, por trás deste monólito do consumismo, se escondem flagrantes injustiças. Várias lojas, situadas nos locais menos acessíveis do Chôpingue, viram os seus negócios encerrados sem qualquer explicação prévia, e substituídos por barraquinhas de comes e bebes com a cara do Fernando Mendes. Esta situação deu origem ao Movimento dos Sem-Loja, que reúne um milhão de ex-lojistas numa luta sem tréguas contra a injustiça comercial. Os resultados ainda não são visíveis, mas Carlos Alcindo, recrutado - através dos classificados do Correio da Manhã - para liderar a operação, garante que “não vamos desistir sem luta.” No seu estilo inconfundível, apoiado numa só perna e arqueando ligeiramente o braço esquerdo em direcção à órbita descrita por Plutão, acrescenta “vamos usar todo o tipo de armas nesta luta, mormente a minha preferida, temida por todos aqueles que me conhecem, e com provas dadas no combate social – a EELP (Evacuação de Excrementos em Locais Públicos).”

Como chegar ao CU – Contornar a floresta Amazónica, virar à esquerda nas Samambaias de pé curto e atravessar a Serra do Cachimbo. Quando chegar ao Tapajós pedir indicações aos tucunurés de guelras platinadas.

Quinta-feira, Junho 10, 2004

Homenagem ao pioneiro do detuning em Portugal (e no Mundo) 

Carlos Alcindo


Encontramo-nos com ele em Olhão, sua terra natal, e, pelo bigode que ostenta, percebemos que Carlos Alcindo nunca foi pessoa de ir em modas. Já quando era pequenino, enquanto todos as crianças brincavam com bonecos, Alcindo já era visto a confraternizar com com adultos de aspecto duvidoso. Isto muito antes de se falar em Casa Pia, o que evidencia o seu espírito pioneiro.
Mas este homem viria a ficar conhecido por ser o primeiro detuner em Portugal. Quando surgiu o tuning, Carlos Alcindo não ficou impressionado: "já com 10 anos apetrechava o carro dos meus pais e de todos o meus familiares. Eu sou o responsável pela introdução do acessório no espelho retrovisor, o que naqueles tempos não tinha de ser necessariamente um crucifixo", acrescenta, "de facto, por sugestão minha, muitas vezes usávamos um coração de boi, que dava um efeito muito bonito quando o carro caía num buraco." Consequentemente revela "que o tuning para mim já não tinha nada para oferecer, era uma ciência acabada. Era tempo de partir em frente".

É então que há cerca um ano Carlos Alcindo começou a aperfeiçoar a arte do detuning. Tinha acabado de comprar um mercedes novinho em folha. "A primeira coisa a ir é o rádio" diz com um brilho nos olhos, "arrancar o sistema de som todo, deixar o buraco bem visível, de preferência com alguns fios a saltar cá para fora". Qualquer fio? "Não, não pode ser ao acaso, tem de haver um método, principalmente nas cores. Eu trabalho mais com os fios encarnados, embora haja quem vá para os amarelos; o importante é haver consistência na composição". No entanto Alcindo sabe que, para muita gente, não é fácil abdicar de música no carro, assim, recomenda que "comprem um daqueles transístores antigos na feira da ladra, de preferência com muita estática e som mono". Mas um detuner não fica por aqui. O passo seguinte é livrar o carro de tudo o que não é acessório. Para o pai do detuning "tudo o que está a mais sai... Pessoalmente acho que as unicas coisas que devem ficar são o chassis de baixo, o eixo da direcção e o volante. Coisas como o motor, o radiador, e a 'carapaça' envolvente do veículo estão sobrevalorizadas. Não fazem falta nenhuma..." E se o carro não anda? Aí Carlos é lapidar: "um carro não foi feito para andar!".

Ainda assim Carlos Alcindo não vai ficar por aqui. O famoso cidadão de Olhão tem planos para, brevemente, ir em excursão ao Terreiro de Paço e defecar junto à estátua equestre de D. José I. Não chegámos a perceber porquê, a entrevista teve de ser interrompida quando Carlos Alcindo saltou pela janela e gritou que se tinha esquecido de que tinha um encontro marcado com um albatroz. Contactado pela agência Lusa, o albatroz escusou-se a fazer qualquer comentário.



Algumas imagens de trabalhos inacabados de Alcindo

Terça-feira, Junho 08, 2004

Sub-21 

Os delfins do futebol nacional acabaram de garantir a presença nos Jogos Olímpicos de Atenas, ao derrotar a Suécia no jogo para o terceiro lugar no Europeu de Sub-21, na Alemanha.
O treinador, José Romão, questionado pela imprensa sobre as hipóteses de sucesso nas Olímpiadas, quis deixar a seguinte mensagem: "o que importa agora não é pensar em Atenas, a seu tempo vamos preocupar-nos com essa tarefa; a grande questão do momento é ir descobrir se o balneário tem contraplacados de qualidade ou não, os nossos jogadores têm de festejar condignamente, e de partir umas merdas. De qualquer maneira atiramos primeiro o Moreira - já ninguém aguenta ouvir falar de Nutella."

Sexta-feira, Junho 04, 2004

Esclarecimento 

Em relação aos comentários que o post anterior suscitou:

O BLUOGH repudia manifestações de lesbianismo latente. Manifestar um entusiasmo pueril por demonstrações de homossexualidade feminina, faz parte dos comportamentos patéticos esperados do género masculino. As mulheres sabem disso, e, muitas vezes, tentam estimulá-lo através do chamado "chocho inter-gaja" - uma fórmula estafada, que não impressiona ninguém que já tenha saído da puberdade.
O BLUOGH encoraja e promove manifestações de lesbianismo declarado.

O BLUOGH não tem qualquer pretensão de um saber iluminado sobre o que as mulheres querem. Isto foi manifestado claramente no post. Sabemos dos perigos de incorrer em generalizações. Há muitas que preferem a fórmula Baskin n' Robbins + Lenny Kravitz, por exemplo. As mulheres, à semelhança das migrações do lemingue-pardo, são imprevisíveis.

O BLUOGH encoraja todos a darem às mulheres o que elas realmente querem, como sugere a 'menina da rádio'. Sobretudo se for com força e profundidade.

Quinta-feira, Junho 03, 2004

A questão 

Em comentário a um post anterior, a Estagiária, amiga deste blog e prezada comentadora, lança a questão:

estagiária: (a lançar a questão)
Mas o q é q tu sabes do q é q elas querem????Tsc tsc…

O autor deste BLUOGH não irá fugir a tamanho desafio, ainda que a Estagiária tenha usado a famosa táctica suja dos quatro "q's", marca registada dos mais impiedosos estrategas da luta em vernáculo. Avisados contra tamanha impetuosidade da nossa desafiadora, prosseguiremos na demanda da verdade.

Então o que é que eu sei do que é que elas querem?

Pouco, admito. Mas talvez mais do que a estagiária. A razão será simples: eu, provavelmente, já tive mais relações amorosas com mulheres do que a Estagiária; já que não consta que a estagiária tenha andado num colégio católico interno só para raparigas.

"Ah!", exclamará a Estagiária, "mas eu tenho muitas amigas mulheres, e nós falamos muito entre nós sobre essas coisas". Muito bem, mas permita-me duas correcções: 1 - as mulheres, entre si, assumem a postura de cabras invejosas, com tendência à adulteração propositada da verdade e da deturpação sentimental; 2 - eu também tenho amigas mulheres com quem consigo manter uma conversa que dure mais do que cinco minutos, a única diferença é que, na maioria dos casos, não rejeito a hipótese de ter uma noite de sexo casual (e ardente, quando possível) com elas - "men and women can't be friends", remember? Portanto neste sentido, ninguém está em vantagem.

Voltando ao assunto em questão, o que as mulheres querem? Eu sei lá. As mulheres querem uma data de coisas. Ora vejamos.
As mulheres querem um homem com sentido de humor, mas que não seja um palhaço - ninguém gosta de andar com o bobo da corte. Querem tipos inteligentes, mas não arrogantes ou misógenos. Querem alguém que transborde "atitude", mas não um tipo convencido. Não querem brigões, mas gostam de sentir-se seguras ao lado de um companheiro. Querem que o homem tome iniciativas, seja espontâneo e impulsivo, mas nunca instável ou imprevísivel. Gostam de ser agarradas com força (não à bruta) e de sentir-se dominadas, mas raramente o admitem sem corar. E há muito mais.

Realmente não faço a mínima ideia do que as mulheres querem, mas anos de pesquisa apontam que terá alguma coisa a ver com gelados Hagen-Dasz e o Ben Harper a gemer feito bezerro para um microfone.

Os homens não são menos complicados, mas isso poderá ser tema de um futuro post.

Domingo, Maio 30, 2004

Post-diver III 

Muitos ficaram chocados (não sei quem, mas alguém deve ter ficado) com o encontro de Xanana Gusmão com o General Wiranto, sob quem ainda pende um mandato de captura, em Timor-Leste. Este tipo de acções, do outrora herói da resistência timorense, não é minimamente chocante. De facto, tem-se notado uma certa tendência para acções inexplicáveis do Presidente Gusmão, ao longo dos anos posteriores à sua libertação. Para comprová-lo, nada mais fácil do que recordar dois momentos exemplares: a dada altura confessou-se adepto do Benfica, e, como se isso não bastasse, disse que o PSD era o partido que mais admirava em Portugal. Os factos falam por si.

Mas a coisa não acaba aqui. É minha profunda convicção que se for provado que Xanana é admirador incondicional de José Mourinho, e amante declarado de pontos de exclamção, as dúvidas serão finalmente dissipadas: Xanana Gusmão é o autor anónimo do renomado Blog do Joe.

Post-diver II 

Um grande parabém ao Futebol Clube do Porto, pelo gesto caridoso na final da Taça de Portugal - deixou o Benfica ficar com a fruteira.

Post-diver I 

Eu sei que é batota, mas não resisti a mudar o título do último post. Nem é bem um post, é verdade, é uma fotografia duma tipa, como apontou perspicazmente o João Manzarra. Achei que este blog precisava de uma presença feminina, ainda que meramente reduzida a objecto iconográfico de características sexuais. Redutor? Sempre é melhor que nada, e é o que elas querem, no fundo. Nós também, já agora. Uma pessoa que nunca foi objecto sexual de ninguém, é uma pessoa triste.
Em relação à mudança do título, o 'chiste' impunha-se.

Este blog já teve posts muito inúteis, mas este é capaz de ter batido qualquer um deles. Seguem-se outros (breves) posts no mesmo regime de inutilidade, para tentar compôr um bocado a coisa.

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